Terça-feira, Dezembro 21, 2010

Ainda lembro...

ainda lembro daquele desespero
as tentativas frustadas de agradar
o medo de errar
a desolação frente ao desconhecido
a depressão por não ser respondido

ainda lembro de quando chorava
quando a vida não tinha gosto
desgosto
de cada manhã de domingo
quando a culpa me acordava
e medo me era ensinado
preferia ficar dormindo

ah, como era triste
não poder gozar a vida
tudo era probido
tudo era errado
eu era um grande culpado
por ter nascido
humilhado

condenado no berço havia sido
mas um caminho havia
tortuoso enfim
sem fim
pelo qual, me garantiam, eu encontraria
o perdão
pois alguem me amaria

mas este caminho era falso
não perdoava
não melhorava

era tudo mentira!
por pessoas medrosas
enganado fui
sem a coragem de questionar
sedentos por uma resposta
por um sentido maior
aceitavam qualquer uma

quão cegos éramos
em não ver que a vida
é o que temos

aposta nenhuma vale
a minha vida

hoje verdadeiramente sou livre
livre para pensar
livre para tentar
e aceitei meu destino
como o de todos que hoje vivem:
tenho um prazo de validade
vivo por sorte
e cada segundo é precioso

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